Ações de chips despencam e põem em dúvida o rali da IA
Semicondutores acumulam fortes perdas apesar dos resultados recordes da TSMC, enquanto investidores questionam preços elevados, capacidade ociosa e o retorno dos gastos bilionários em infraestrutura.

As ações de empresas ligadas à inteligência artificial enfrentaram uma nova onda de vendas nesta sexta-feira, aprofundando a pior semana do setor de semicondutores desde março de 2025. O movimento atingiu bolsas dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia e aumentou as dúvidas sobre a sustentabilidade da valorização que transformou fabricantes de chips, memória e equipamentos em alguns dos ativos mais disputados do mercado.
Nos Estados Unidos, Nvidia e Intel registraram quedas superiores a 2,7% antes da abertura do mercado. O fundo iShares Semiconductor perdeu aproximadamente 2,4%, enquanto o índice de semicondutores da Filadélfia chegou a acumular uma retração superior a 19% desde o fim de junho. As ações da Netflix também caíram após a empresa apresentar uma projeção considerada fraca para o terceiro trimestre.
O movimento começou na Ásia. O índice Nikkei, do Japão, caiu mais de 5%, pressionado por fabricantes de equipamentos e componentes como Kioxia, Tokyo Electron e Advantest. Em Taiwan, a TSMC recuou 7,3%, mesmo depois de divulgar lucro recorde e anunciar mais investimentos. Hong Kong e Xangai também fecharam em queda, com perdas particularmente fortes entre empresas de inteligência artificial e semicondutores.
A reação mostra que resultados operacionais positivos já não são suficientes para sustentar as avaliações construídas durante o ciclo de entusiasmo com a IA. A TSMC registrou crescimento de 77% no lucro do segundo trimestre, elevou sua projeção de investimentos e informou que continua recebendo sinais fortes de demanda de provedores de nuvem. Ainda assim, investidores reduziram posições por receio de excesso de capacidade e preços elevados.
O mercado também reagiu ao lançamento de modelos chineses de menor custo, incluindo o Kimi K3, da Moonshot AI. Sistemas capazes de oferecer desempenho competitivo com menor necessidade de computação podem reduzir as estimativas de demanda por chips no longo prazo. Essa possibilidade ainda não está comprovada, mas influencia investidores que procuram identificar se o crescimento de gastos continuará no mesmo ritmo.
Outro fator é a concentração. Grande parte da valorização das bolsas nos últimos anos ficou ligada a um grupo pequeno de empresas envolvidas na fabricação de processadores, memória, redes e equipamentos para centros de dados. Quando essas ações recuam juntas, o impacto se espalha rapidamente para índices, fundos e carteiras globais.
O Financial Times informou que o índice norte-americano de semicondutores caminhava para sua pior semana desde a forte turbulência ocorrida em 2025. Investidores também reduziram a exposição a fabricantes de memória e armazenamento, que haviam avançado com a expectativa de demanda crescente por servidores de inteligência artificial.
A queda não significa que os investimentos em IA tenham terminado. Empresas como Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle continuam comprometidas com projetos bilionários de infraestrutura. Fabricantes de chips também mantêm previsões de crescimento. O ponto de dúvida passou a ser a velocidade com que esses investimentos produzirão receitas suficientes para justificar os valores aplicados.
O cenário econômico adicionou pressão. A elevação do preço do petróleo e as tensões no Oriente Médio aumentaram preocupações com inflação e juros. Ativos de crescimento, como empresas de tecnologia, tendem a sofrer quando investidores projetam taxas mais altas por períodos prolongados.
Os próximos resultados de grandes empresas de nuvem serão decisivos para medir a demanda por computação. O mercado buscará informações sobre utilização de capacidade, receitas de serviços de IA e retorno dos novos centros de dados. A correção atual poderá se revelar uma realização temporária de lucros. Também poderá marcar o início de uma seleção mais rigorosa entre empresas que vendem a infraestrutura e aquelas capazes de transformar inteligência artificial em resultados financeiros consistentes.
Fonte principal: Financial Times, atualizada em 17 de julho de 2026. Fontes complementares: Reuters, Associated Press e Wall Street Journal sobre a queda global das ações de semicondutores.
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